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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

o anuncio

na mesa de jantar todos aguardavam ansiosos, amedrontados. não era incomum vê-los reunidos mas o anuncio que sr. julio prometera com antecedência ao jantar preocupava todos. estavam ali carla e seu esposo jorge, os gêmeos roger e ricardo, a caçula patrícia e a quarta esposa de seu pai, morgana. julio era homem de poucas palavras, mas duras, severas e verdadeiras. quando dizia algo era pra valer. carla era a mais sofrida, vivenciou todos os casamentos e separações de seu pai, a chegada dos gêmeos foi sua fuga ao pesadelo que se tornavam todos os relacionamentos dele. os gêmeos tinham tudo que queriam, nasceram na época de ascensão dos negócios de sr. julio, mas não tem comparações com a criação recebida por patrícia, que adorava ser chamada de paty e ninguém ousava tirar algo que ela achava que lhe era de direito, com aval para tudo pelo seu pai, aos onze anos já demonstrava sua personalidade manipulador e ousada. morgana era a única que não havia lhe dado um filho, ou dois, ate os três anos que hoje se somam de relacionamento. se conheceram por acaso, por amigos em comum na turma de dominó, o jogo preferido de sr. julio e os velhos bacanas com quem ele fazia negócios. naquela noite ele tinha algo pra dizer, carla esperava já sem muita surpresa mais uma separação e os gêmeos alguma novidade que a vaidade de sr. julio proporcionava às vezes como uma nova moto ou um iate que não sai do porto ha anos e causa mais despesas do que a faculdade da carla e dos gêmeos somadas juntos. diversas massas na mesa, nada mais tradicional para aquela família. morgana de origem humilde em pouco tempo apurou seu paladar aquelas iguarias deliciosas, coisa fina, para quem servia doses de conhaque doze anos, uma noite com os filhos de outros casamentos do seu atual esposo era um grande salto na vida, mas lhe custou muitas dificuldades. abandonou o filho que na época tinha três anos com sua mãe, ninguém sabe que ela o tem, manda dinheiro para escolinha e o visita nas tardes livres que tem fingindo ir para o salão de beleza. dona justina recolheu os pratos e a hora esperada chegou. patrícia quase chorando imaginando que seu pai pudesse ter falido e perderia todo o conforto e estilo de vida que levava, e com pouca idade ela já demonstrava essa preocupação de viver a vida inteira nessa posição elevada financeira e de status, o que morgana pensava variava um pouco de tudo o que os filhos dele imaginavam e de que não era nada que mudaria a vida deles, mulher simples sem muitas ambições se fosse perder algo pra quem nunca teve nada, perder pouco não lhe parecia ser de todo mal assim. sr. julio calado parecia lê-los com os olhos e ao mesmo tempo parecia indiferente com a presença de todos ali. um homem imprevisível poderia gritar guerra e o mundo inteiro se acabar em conflitos ou exigir paz e todo o mundo viver em harmonia, ou seu ar de domínio e poder somado com a arrogância trazia essa impressão. o fato é, que às 20 horas, com as sobremesas já consumidas e agora reunidos na sala, sr. julio acendeu seu cigarro, pigarreou e disse: - o que vou dizer agora, eu exijo, eu ordeno que não contem a ninguém...

domingo, 6 de dezembro de 2009

você não sabe

eu ainda uso o mesmo all star, eu ainda saio com os mesmos amigos, estou cansado de não saber como fazer você saber que eu ainda faço tudo por você, eu ainda gosto daquele seu cd , leio seus poemas que me fazem lembrar das historias que costumávamos criar sobre nós, eu e você, sobre nós e nosso bebê. eu não consigo entender como você pode nunca querer saber que eu ainda gosto das mesmas coisas que nós dois costumávamos gostar, eu ainda uso o mesmo all star, você ainda guarda aquela gravata? estou cansado de não saber como fazer você saber. você não sabe, o quanto eu chorei. você não sabe, o quanto eu te amei. você não sabe, como faz falta o seu amor. você não sabe, o que eu passei. você não sabe, como eu fiquei. você não sabe, você não sabe e nunca quis saber que, eu ainda gosto das mesmas coisas que nós dois costumávamos gostar, será eu um dia eu vou te encontrar? por você minha vida inteira vou esperar, voltar.

(essa é a letra da musica composta por mim. tirei o video do youtube, mas ficara registrado nesse post eternamente, como meu amor).

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

a historia de um amigo meu

ele suava, precisava dizer algo. contar uma historia. estava ali esperando algo e ele estonteado com os olhos arregalados. em um literal piscar de olhos, reagiu com uma respiração profunda e principiou a falar. 'nos idos de noventa e um, você tinha apenas dois e eu nunca sabia como tinha chego em casa depois de dias ausente. era inverno e usava um casaco de couro, rasgado e sujo, era moda. gritei da sala: mulher onde estão às crianças? e só ouvi de volta como resposta o eco de minha própria voz, ela tinha levado as crianças embora e estava sozinho. fiquei desesperado, e fui para o bar. era lá que ela sempre ia quando se sentia magoada comigo, e lá estava, bebendo e dando em cima dos cabeludos, com o cabelo bagunçado e olhos inchados parecia ter passado os dias chorando muito e bebendo proporcionalmente. cheguei perto e disse: para com isso, mulher, tire da mão das crianças aquela garrafa e venha para casa, eu aceito. e o que ela disse, perguntou o outro que lhe ouvia, ele prosseguiu: disse nada, vomitou toda a bebida em meus pés. foi então carregando ela para casa que no caminho encontrei o bilhete no chão. o bilhete premiado, interrompeu novamente o outro. sim, o bilhete premiado. depois disso não mais me esqueci onde passava os dias quando ausente e troquei o couro e jeans pelo linho e cem por cento algodão e estou hoje aqui bem como você pode ver. nossa, que historia emocionante a sua pai e ai você decidiu casar com a mamãe e criar estando presente eu e meus futuros irmãos? questionou o garoto. não, disse o homem, eu terminei com a mulher bêbada e conheci sua mãe em paris meses depois em uma turma de turistas brasileiros. como você conheceu minha mãe depois se eu já tinha dois anos quando isso aconteceu? intrigado diz o garoto e debochando por achar que tinha pego uma brecha na historia. o homem disse: você é filho da mulher bêbada com um dos cabeludos, isso explica seu alcoolismo e o fato de não se parecer nem comigo e ninguém da família.' ele secou o suor, não disse mais nada. quis não ter ouvido essa historia. estava ali esperando que ele, outrora fora seu pai, dissesse que era tudo mentira e fechou os olhos. notando a veracidade da historia, o garoto foi embora. perdeu em bebida e jogos sua parte na herança, encontrou e vive com seu pai biológico, agora careca. mudou de nome e hoje tem um blog. ele é conselheiro no aa, um ano e oitenta e dois dias sóbrio.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

o tempo passa

vai decidir, se vai ser amor ou paixão a primeira vista que some na primeira partida? porque paixão a primeira vista em um piscar de olhos some, mas amor de verdade resiste a suas idas e vindas. afinal, estou eu aqui esperando você e nesse meio tempo narrando as dificuldades de viver sem ter você atualmente. a cabeça fica em uma grande confusão por ter lembranças de você no passado bom e criar historias de um futuro com você, hoje o tempo fica assim perdido nas horas e horas lendo e escrevendo coisas para você ou para mim mesmo ou para alguém que ha de vir. alguém que seje tudo o que você é mas não faça a mesma coisa. alguém que seja tão errada, tão certa, tão linda e tão esperta mas que não faça a mesma coisa. que seje você esse alguém e poderei ate fingir ser outro alguém mas não é. continue da mesma maneira todos os defeitos e qualidades, exceto que não faça a mesma coisa, aquilo de me deixar novamente. enquanto você decide o que vai ser, perco tempo, perco palavras, perco inspiração, perco a vontade de viver assim sem que me sobre mais todas as coisas vans. perco o que mais me falta, uma chance de ter você de volta.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

uma história em ré menor

encontrei esse texto em uma pasta de musicas, das minhas composições. esse texto data-se 02/01/2005, sem titulo, apenas os acordes, começando com ré menor e contava uma historia que agora publico aqui para você.

‘era uma noite especial. por tanto tempo eu esperei mas você andava tão ocupada, mesmo sem tempo para nos ver nosso namoro estava tão bem. ao menos era o que eu imaginei, não percebi que você se afastava, foi quando você conheceu um cara. o que você queria que eu pensasse? te ligar e ele atender, agora você precisa entender que foi por isso que eu passei uma noite só...
uma noite só,
uma noite só, uma noite só com ela.

essa sua amizade me incomodava era só dele que você falava, tentei por muitas vezes não brigar sem motivos ou argumentos. eu só queria me desculpar, a ultima coisa que eu queria era lhe flagrar com um cara em sua casa para ajudar te consolar ou para te aconselhar. você deveria vir ate a mim para conversar não apenas me beijar, para me ajudar a resolver, para entender o que aconteceu naquela noite só...
uma noite só,
uma noite só, uma noite só com ela.

estou à espera de sua resposta, se você não for capaz de perdoar tenho certeza que você vai amar alguém que seje capaz de te entender, alguém que seje melhor para você, pois eu não agüento mais esperar você ter um tempo para passar ou você decidir demonstrar algum afeto ou carinho. seria difícil fazer isso, por alguém que você diz amar? nunca mais venha me cobrar por algo que você não foi capaz de me dar. uma noite só...
uma noite só,
uma noite só, uma noite só,
uma noite só para nós.’

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

um quadro de filme de amor


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

cantiga do patético trovador moderno

bailarina tira a sapatilha e vem me encontrar de pés no chão. sem saltitar, sai do palco tire esse laço que te quero sem glamour. depois das luzes apagadas e com a platéia vazia, ainda assim continuarei ter meu olhos cheios de emoção se você vier ate a mim. deixa disso, não de ouvidos. veste rosa vem toda pomposa, te quero mesmo assim. não deixe o rodopio, gira e volta aqui. te trouxe novas sapatilhas para você dançar nesse outro espetáculo, faremos de nossa vida um grande show a dois de muito amor. põem na cabeça um lenço e no peito um coração com as nossas iniciais, te pego no colo em um passo perfeito, será o melhor desfecho desse nosso espetacular amor.