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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

a infeliz - versão b

nem tudo foi tão preto no branco como contam a historia de johny. a infeliz era maquiavélica e ele passou seus piores dias ao lado dela. amor, amor. ninguém se importa em sofrer se ambos ainda vestem o anel na mão direita e andam de mãos dadas mesmo sem nunca ter encontrado algo em comum, alem dos cinco dedos em cada mão. ele por ser mais velho, entendia e já previa qual seria o próximo passo que ela daria e isso o perturbava mais ainda por se decepcionar com o jeito que ela levava a vida. mas pobre coitada, ainda menina, achava que tinha malicia mas tropeçava em seu próprio cadarço e se ele apontasse para seu tênis para avisá-la antes do acidente, ela lhe dava um rodo porque não tinha escrúpulos, apenas a maldade disfarçada na sua boa cara de menina santa porem assanhada, completamente dissimulada, desnecessário dizer que tinha maior admiração pela desgraçada capitu e fez de johny seu bentinho, deixando-o maluquinho de amor e obsessão. tudo mentira. ela o iludia, mentia, fazia o que queria mesmo na maior parte do tempo não saber o que queria, não deu mundos e o deixou mais fundo no buraco que é sofrer por um relacionamento ruim. dizia ser amiga, fazia de conta que queria e nem transar a garota sabia, falava dos filmes que sua mãe disse um dia ser do tipo que vale a pena assistir, revolucionaria do mundo em que só ela vivia e ninguém mais conseguia mesmo que tentasse ver, não deixava participar do que chamava ser seu infinito particular. para ele era tudo uma fase, e achava que iria passar e passou, ele passou assim que deixou de ser adolescente. o tempo é difícil de se definir, o passado não existe mais, o futuro não existe ainda e o presente acaba de ficar na linha de trás, passou, virou passado e nunca vai chegar a ser o futuro, o tempo não existe. tudo muito confuso e ele acordou. notou que o passado já se foi e não existe mais e que o futuro que desejava com ela nunca existiria e quando decidiu viver o presente, ele descobriu algo que se valia a pena. verdade o fato dele ter aberto os olhos e pulado fora dessa cilada. hoje esta amando outra garota, a quem ama e é amado. dizem que ele sente falta da outra que continua a mesma só que com um corpo cada vez melhor, mas é bobagem, porque ele não conta mais essa historia, ela que insiste em dizer na roda de amigos de bar em bar que um dia já foi amada por ninguém menos do que o johny, o cara que todos os amigos tem grande estima e ela lembrando daquele tempo em que ele amor eterno lhe prometia, se sente especial, mas é só frustração de ver que o tempo passou e ela ainda não descobriu nada sobre o amor.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

um pouco de seu tempo

podíamos acabar com o voto de silencio. gostaria que você começasse para que eu tivesse a certeza de que eu não sou um incomodo, afinal depois de tudo que você me disse sobre o mal que eu lhe causava, não quero me iludir achando que estou sendo agradável e no fundo você querendo quebrar meu pescoço. sendo assim, me passe a palavra que eu quero lhe dizer, peço que quebre o silencio e venha, me deixe te conhecer o que é hoje. onde você trabalha, não quero saber o bairro em que você trabalha, mas o que você faz, se tem pessoas legais, se seus dias são bons hoje bem mais do que já foram antes. quebre o silencio e me diga sobre como vai você, já se passou tanto tempo, não acha que foi tempo suficiente para esquecermos? mas não esqueci e desejo ainda mais. olha, se você não vier, nem ao menos me dizer que esta bem, bem melhor sem mim, eu vou ate ai, sendo bom ou ruim, vou ai dizer que sem você é pesado, é chato, ruim e eu não quero que seje assim. você sabe que daqui três dias faço aniversario, mas se soubesse que daqui três dias eu morresse, o que me diria? não gostaria de se despedir dessa angustia que é estar mal resolvido, estar longe desse amor lindo? quando deixarei de habitar esse lugar eu não sei, só tenho certeza que esse e todos os futuros aniversários que passarei sem você é algo horrível e eu não desejo viver. antes morresse daqui três dias se você voltasse pra eu ouvir: (...) isso tudo que você tem pra me dizer, das coisas sobre eu e você. tudo entre nós não pode ter acabado assim, me dê mais uma chance para fazer certo, nada dura para sempre, mas honestamente, eu sei que isso não pode terminar rápido e assim.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

a proposta

só tenho mais dois pedidos. escolha seis números para que eu faça uma aposta. quero descobrir se é sorte no jogo e azar no amor ou, se é amor de verdade e se nossa historia já foi traçada pra ser feliz no fim e que isso tudo são apenas os obstáculos do caminho para torná-lo aparentemente impossível mas o faz ser mais caloroso a cada desencontro de nossos corações. o outro pedido é que, caso eu acerte os números... esta afim de ir pra frança comigo e fazer sexo casual? beijos, me liga.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

a entrevista

você sabe que eu tenho me esforçado, chegar ate onde eu cheguei não foi fácil. esta ai meu currículo e fiz uma ótima carta de apresentação, tive boas referencias e tenho experiência. estou apto para exercer essa função, não somente, sou a pessoa exata para adquirir esse cargo. não considero pesado, essa carga, de levar o titulo que vira apos meu nome. conheço tudo a respeito da instituição, sou conhecedor e um grande admirador de todos os seus resultados, conquistas e tenho profundo desejo de auxiliar nos obstáculos futuros. bom, de momento foi isso que consegui pensar para lhe responder em poucas palavras o porque mereço essa chance, de possuir seu coração. o titulo de namorado, roberto - o namorado, pra mim é um grande objetivo a ser alcançado. quero fazer parte dessa instituição, o amor, com você vim a conhecer tudo sobre ele. sobre você sei o bastante para crer que não ha pessoa como tal que eu venha a desejar mais, o salário de maior valor é ser possuidor de um sorriso seu. você tem meu telefone, aguardarei o contato assim como o combinado. (...) olá? oi, sim aqui é o roberto. nossa quanto tempo. sim, que ótimo, fui aceito? que ótimo obrigado. obrigado. obrigado. mas sinto em lhe informar que recuso a sua oferta. hoje, depois de tanto tempo passado, encontrei na concorrência uma proposta melhor. desculpe, e obrigado. boa sorte na sua procura, de certo você tem outras opções em mente. é que eu encontrei uma oferta de risco reduzido e estabilidade emocional, o que é de grande valor e difícil de encontrar aqui. é só isso, obrigado. boa sorte. (...) cretina. tenho que ir a banca comprar outro jornal, esse já tentei todos os anúncios. não vou mais ficar ao seu aguardo e nem desempregado, sei que irei encontrar proposta tão boa quanto aquela, mas não podia me sujeitar daquele jeito. o seu anuncio me iludiu e quase aceitei toda aquela bobagem. bom, que tal mestiças? é, vou marcar um encontro, essa me parece ótima.

sábado, 23 de janeiro de 2010

por falar nisso eu lembrei de uma historia

você pode ate achar que é historia da carochinha, mas o que aconteceu naquela tarde de sábado em 1959 foi real e muito verdadeiro. eu e mais três amigos estávamos na beira do riacho, com as varas e anzóis prontos para a pesca, todos usando minhocas ou tripas, com esses tipos de iscas comuns e práticos para se dar bem na pescaria. optei por usar milhos e trouxe na sacola o velho truque de família, usaria caso não tivesse sucesso com a primeira escolha, capim para atrair os peixes. isso mesmo, capim. amarraria um bocado de capim em um bambu e colocaria no rio, no anzol amarraria em nós um punhado de capim e quando um peixe vacilasse pelo capim no bambo iria se prender na minha isca. lá pelas tantas, usava ainda minha isca de milho, atrai algumas traíras e piranhas, mas queria mesmo o pacu. meus amigos se divertiam, bebendo e assando os pintados, piranhas e tilapias que haviam pescado e esnobando seu sucesso na pesca, e eu com meu samburá vazio comecei a ficar frustrado. quando todos já estavam cansado de tirar onda comigo, dizendo que nem se o peixe em um cangapé conseguiria agarrá-lo, pus em pratica o velho truque que aprendi com meu pai, que aprendeu com o seu pai, e aprendeu com o seu pai e assim por diante, o capim me salvaria. ataquei o bambu no rio, posicionei no fundo e troquei a isca do anzol, joguei no rio e fiquei aguardando. a chuva começou a ficar mais forte, meus amigos começaram a recolher tudo e guardar no carro, eu sentado no banquinho, com guarda-chuvas e de olho na bóia continuei ali, na esperança de fisgar um baita pacu. todos no carro gritando meu nome querendo ir embora, já satisfeito com a pescaria bem sucedida e eu ali esperando minha vez de pescar ao menos um peixinho, nessa altura podia ser assim no diminutivo mesmo, que fosse pequeno mas um peixe para não sair dali sem ser o único a não conseguir fisgar um peixe. em determinado momento, vi a bóia abaixar, depois andou um pouco, peixes grandes costumam ir devagar e não avançar de uma vez na isca, esperei e no momento certo, no instante em que a bóia afundou de vez, puxei e voltando o molinete esperava com muita alegria ver o peixe que enfim tinha pescado. uma luta difícil travei com o bicho ate trazê-lo a margem, e que beleza, um peixe enorme com seus muitos metros, deixou todos os amigos e pescadores ao redor com queixo caído. tinha ali em minhas mãos o tão desejado pacu, que delicia, muito gostoso, tirei com cuidado o anzol e ele se debatia, meus amigos saíram do carro e vieram com a antiga maquina fotografica na mão pra registrar aquele feito, lindo peixe, grande e belo. todos comemoraram ali na margem comigo essa pesca, um ou dois desses amigos invejaram e tentaram me convencer que o peixe devia ficar com eles, mas eu notando isso já de cara disse que um pacu gostoso daquele não é pra qualquer pescador, tem que ter muita competência pra fisgar um peixe daquele. por instantes fitei o peixe ali em meu samburá, notei em seus olhos uma expressão de tristeza e terror, aquilo tudo assustava o peixe, fiquei sensibilizado, naquele momento percebi que aquele pacu não devia ser comido por mim, ele tinha muito a viver e seria um pecado mantê-lo preso em meu samburá. sim, acredite, soltei o peixe no mar, mas que danado, em dois segundos sumiu da minha visão. depois daquela pesca nunca mais voltei ao riacho, meus amigos se esqueceram da historia, na época quando eu contava essa historia eles desmentiam e diziam que era conto de pescador e todos riam de mim, mas eu sempre tive pra mim como verdade, que eles tiveram muitos peixes de todos os tipos, mas o enorme pacu gostoso que eu tive, nunca nenhum deles tiveram. não pesco mais, vou ao supermercado para comprar peixes para comer, não tem emoção mas é tão gostoso quanto. o importante é saber que em minha juventude se eu quisesse um pacu eu conseguiria do meu jeito, não em grande quantidade mas era com certeza o melhor que existe. com setenta e oito anos agente fica bobo, não é mesmo? nem sei o que falávamos quando cheguei nessa historia de peixes. você falava pro vovô de sua namoradinha, não é meu filho? de qualquer forma, já te falei da vez em que fui inventar de criar passarinhos de gaiola e um deles cantou tão bonito para mim um dia que eu...

sábado, 16 de janeiro de 2010

por toda vida

acordo e ainda sinto o gosto da noite anterior. muita cerveja, bobagens ditas na mesa. tento mas não encontro, não descubro, não me lembro, não sei onde foi que você me deixou ou pra onde você foi. posso te dizer de alguma forma que uma mão esta no telefone e a outra segurando sua foto e me esforço para talvez não fazer bobagem nenhuma, talvez não chorar tentando encontrar uma chance de te reencontrar e parar com minha tristeza. duas pessoas que se amam não devem viver sozinhas.
tudo que eu preciso é dizer que te amo e fazê-la saber que não ha culpa maior em meu coração do que o dia que deixei você ir por achar que eu não estaria ao seu lado, não te apoiaria em todos os momentos quando isso não é verdade, porque eu amo tudo que você é e não passo uma noite sem pensar em você. desejo muito deixar de ficar triste, desejo muito fazer tudo certo, desejo muito que você possa me olhar nos olhos e dizer que acredita em mim e mesmo que seja apenas uma historia de nosso passado, mas ele tenha um bom final, um final completo, não precisa ser tudo tão encoberto e sem verdade, não me deixe ir embora pela metade, descubra o que ha de errado comigo, porque estou tão triste e você entendera que o que eu mais desejo é um abraço seu que dure por mais de cinco segundos e que me faça senti-la pelo resto de minha vida.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

cantiga do patético solitário

cansei de fumar por não ter o que fazer
cansei de beber pra dizer tudo que queria dizer
cansei de fazer tudo por alguém que já amei
e hoje amo mais
por não ter ninguém mais para amar

cansei de pedir para você ir embora
cansei de das pessoas que estão a minha volta
cansei de fugir sem levar você, ir pra qualquer lugar
e me perder mais
por não ter ninguém mais para encontrar

qualquer coisa menos do que amor é desprezo
qualquer coisa menos do que encontrar é perder
qualquer coisa que quero encontrar
perco por não mais saber amar